O copão que dava pra três, ele virou de uma vez.
Cena de "Descrição da Ilha da Saudade" ou "Baudelaire e os Teus Cabelos"
Diretora: ALYNE FRATARI Roteirista: NARJARA MEDEIROS Elenco: CARLOS CIPRIANO E GLAUCE GUIMA Fotografia: NAJI SIDKI Câmera: NAJI SIDKI E EMERSON MAIA Arte: NAYARA MAMÁ Som: THAÍS FALCÃO Editor: ISAAC ORCINO Editora de Som: THAÍS FALCÃO Still: LÍDIA ARRAIS Produção Executiva: ALYNE FRATARI Direção de Produção: ANA RAQUEL GOMES E PEREIRA
curta-metragem na íntegra se encontra no Youtube
De onde venho
Videozinho caseiro para minha vovó Emília
Ela ama quando a horta está florida, e também a época de Natal: enfeita toda a casa.
Fotos Guto Muniz
Nosso Tempo
I
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
(…)
Carlos Drummond de Andrade
Nosso Tempo
I
Esse é tempo de partido,
tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes,
viajamos e nos colorimos.
A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua.
Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos.
As leis não bastam. Os lírios não nascem
da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se
na pedra.
Visito os fatos, não te encontro.
Onde te ocultas, precária síntese,
penhor de meu sono, luz
dormindo acesa na varanda?
Miúdas certezas de empréstimos, nenhum beijo
sobe ao ombro para contar-me
a cidade dos homens completos.
Calo-me, espero, decifro.
As coisas talvez melhorem.
São tão fortes as coisas!
Mas eu não sou as coisas e me revolto.
Tenho palavras em mim buscando canal,
são roucas e duras,
irritadas, enérgicas,
comprimidas há tanto tempo,
perderam o sentido, apenas querem explodir.
(…)
Carlos Drummond de Andrade
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