Guerrilha: um anti-teatro do cotidiano





 


“Guerrilha”, do Rio de Janeiro, vem fortemente marcada por uma dramaturgia performativa, extremamente aberta a inúmeras possibilidades de leitura. Se logo no momento inicial, a pichação “Fora Sinopse”, que surpreende a expectativa de ver a frase se completar com “Temer”, o texto que resume e descreve a cena nos traz poucos elementos do que o trabalho apresenta, assim como traz informações que não são vistas. Erro ou não, criou-se um jogo entre cena e material de divulgação, o que revela também a necessidade do trabalho em não fechar-se a reduções ou simplificações.
O golpe, no entanto, está em cena. Há resistência e porrada, há corpos preparados para lutar, vigorosos de forças físicas e combativas, enquanto há também a alienação, a figura alheia e entretida. As forças, porém, se perdem e se dissipam. Os corpos resistem em suas individualidades e em tempos distintos. Cansam, ainda que perplexos e indignados.
A arte também ganha foco metalinguístico nos pés da bailarina. Sua delicadeza simbólica representa o perigo transformador. Não à toa, foi um dos primeiros campos por onde a onda conservadora dos novos tempos se assolou com a precarização de suas estruturas já precárias. A arte tarja preta é a própria cena, questionadora, provocativa e combativa.
No contexto das lutas, há multiplicidades e todos se alinham diante do mesmo que se apresenta a todos eles. Não pensam da mesma forma, não possuem as mesmas latências, mas suas reações têm o mesmo efeito. Nada mudou e tudo está acontecendo diante de nós."

(Joyce Athiê)

Com Angélica Grativol, Francisco Thiago Cavalcante, Glauce Guima e Maria Machado.
Trilha sonora: Glauce Guima
Supervisão afetiva de Marcio Abreu
com #jeanlucgodard
"O que eu quero acima de tudo é destruir a ideia de cultura. Cultura é um álibi do imperialismo. Há Ministério da Guerra. Há Ministério da Cultura. Logo, cultura é guerra."

Cinema: "BR 716" é o grande vencedor do Festival de Cinema de Gramado

O filme "Barata Ribeiro 716" de Domingos Oliveira foi o grande vencedor do Festival de Cinema de Gramado, em premiação realizada na noite deste sábado (3) na cidade da serra gaúcha. Além de Melhor Filme, o cineasta ganhou o kikito de Melhor Direção e Melhor Trilha Sonora. O mesmo longa levou ainda o kikito de Melhor Atriz Coadjuvante, para Glauce Guima.



 

 
 
 
 
Personagem Bel
 
 

Cinema: "BR 716" estreia hoje

Ano e meio atrás esta sequência iniciou as filmagens de "BR 716", novo filme de Domingos Oliveira que estreia hoje no Festival de Cinema de Gramado.
com Caio Blat
foto still

foto de equipe. todos por um.

Texto "Vendaval" de Glauce Guima e Júnia Pereira

Dia 25/08/16 foi lançada a Coleção Janela de Dramaturgia (Livros 1, 2 e 3) pela editora Perspectiva, em Belo Horizonte. A publicação foi contemplada pelo programa Rumos Itaú Cultural. 
Nos livros, textos de: Alice Vieira, Assis Benevenuto, 
Byron O'Neill, Daniel Toledo, Diego Hoefel, Glauce Guima, Guilherme Lessa, João Filho, João Valadares, Júlio Vianna, Júnia Pereira, Luísa Bahia, Marcelo Dias Costa, Marcos Coletta,  Marco Túlio Zerlotini, Marina Viana, Rafael Fares, Raysner de Paula, Ricardo Alves Jr., Sara Pinheiro,Vinícius Souza, Wesley Marchiori e Wester de Castro.





Cinema: Estreia de "BR716"

 
"BR716" estreia mês que vem no 44. Festival de Cinema de Gramado, 
que acontece de 26 ago a 03 set.

Fernanda Torres escreveu sobre o filme em sua crônica da Revista Veja
 
 






Cinema

Participação em "Operações Especiais", de Tomás Portella.
 
.- com Cleo Pires

Memória - Macedonio Fernández


Macedonio Fernández,  BAs, 1942
foto: Patrick Chartrain

"O Fantasismo Essencial do Mundo 


Sintamos, amada, o vazio do mundo, da apresentação geométrica e física das Coisas, do Universo, e a plenitude, a certeza única da Paixão, o Ser Essencial, sem pluralidade.
      Sorrirás como enlaçada ao vazio de uma janela que parecia dar a uma imensa e imóvel Realidade Externa e que bruscamente se reduz a um ponto, se pensares um instante que numa imagem de cena que sonhas ou imaginas pensando desperta pode haver toda a extensão do mundo e no entanto cabe em teu espírito ou mente, ou, se quiseres, na vibração de uma molécula imperceptível de sua "casca cinza", como dizem os fisiologistas. Se tendo abrangido com tua vista um panorama com sol, terra, céu, bosques, rio ou mares, ribeiras, edifícios, depois o pensas ou sonhas, tens exatamente a mesma imagem imensa encerrada em um ponto de tua mente, de tua alma, ou caso se queira numa microscópica célula nervosa de tua casca cinza. E ainda mais, essa mesma casca cinza e o cérebro todo é uma imagem de tua mente, pois não saberias que existe não fosse por imagens que tens de sua forma, cor, divisões, desenhadas ou vistas, e tuas imagens de contato, de temperatura, se estudaste anatomia. Se a casca cinza existisse por si, como poderia pensar nela mesma? Pois isso que estamos discorrendo é precisamente um pensar a casca cinza em si mesma, um imaginar-se da casca cinza a si mesma. Isso somos, com a nitidez de um círculo, nós, um pensar a casca cinza em si mesma. Como o órgão das imagens teria uma imagem de si? Como a casca cinza, onde se diz que reside o pensamento, pensaria em si mesma, enquanto o olho não pode ver diretamente a si mesmo; vemos tudo através dele e não o vemos?
      Se dentro de minha mente não há extensão e em qualquer imagem minha posso representar tudo o que vi, é simplesmente porque não há a Extensão, todo o universo não é mais que um ponto, e, menos ainda, não é mais que uma ideia, uma imagem em minha alma.
       É essa extensão a que cria a ilusão de pluralidade, que não é aplicável à única realidade do ser: a Sensibilidade.
    Paro por aqui; creio que essas palavras possam assomar tua sensibilidade ao abismo dko ser e ao reconhecimento de que tudo é psique, e portanto imortal. Porque já te insinuei, em muitas tentativas de comover tua dolorosa crença na morte, que sinto que o obstáculo que me domina para impedir que meu amor por ti seja o todo-amor que mereces e que é todo o valor da realidade é essa discrepância que nos separa, enquanto tu acreditas que nos espera morte e um terminar de nossas pessoas e de nosso amor e eu não creio que o todo-amor possa florescer em seres que se creiam passageiros."



 

{Macedonio Fernández [Museu do Romance da Eterna (Museo de la Novela de la Eterna) Cosac Naif] 2010}.