Só para recomeçar!


São muitas as urgências que o nosso tempo impõe, e a nós que somos o teatro é imperativo arejar o tempo com palavras necessárias, preencher o vazio que está sendo imposto, resistir, mostrar a suficiência de nossas vozes e corpos – atrizes, atores - narradores. Primeiro mostrar quem somos, a viemos, de onde viemos (rapsodos, griots) sem as mistificações que também nos esvaziam. Sermos um pouco - só pra recomeçar! - apenas o que somos: veículos da cultura, contadores de mitos, fábulas, histórias; instauradores de um rito cultural ancestral comum.

Sala para Rapsódias



Rapsódias Belo-Horizontinas de Eid Ribeiro

A coletânea Crônicas de Eid Ribeiro, lançada recentemente pela Editora Javali (2016) são um retrato delicioso de Belo Horizonte, como o caso da baleia estacionada na Praça Sete em época de recessão, que amontoou um monte de gente para comprar aquela carne cinzenta cortada em filete, cenário de obra de arte contemporânea - brinca Eid. E o que sucede é curioso, engraçado, como a estadia do cineasta Luis Buñuel na cidade, e tantos outros acontecimentos que merecem sair das páginas do livro e ter lugar na memória de beagá, através dos ouvintes.


A leitura-performance terá início às 10h de sábado dia 02/09, ao lado da estátua de Henriqueta Lisboa, localizada à Praça da Savassi (R Fernandes Tourinho com R Pernambuco), segue para o banco da Patrícia de Deus – Ideias e Papeis (R Fernandes Tourinho, 145) onde estará acontecendo mais uma edição do Bordando no Banquinho, reunião de bordadeiras que poderão ouvir algumas estórias. O término da leitura está previsto para 15h e é itinerante, sempre no quarteirão das livrarias e cafés da Fernandes Tourinho. Leve seu banquinho, cadeira de praia, biquini, óculos de sol, protetor solar. Será uma manhã e tarde agradáveis de estórias belo-horizontinas do dramaturgo/ator/diretor Eid Ribeiro


Glauce Guima e Maria Clara Senra, comentando ao vivo o.l. o filme BR716 de Domingos Oliveira, no CineChat do Canal Brasil.

Domingo 20 agosto, Praça da Liberdade, Belo Horizonte

Quem passava parava para ouvir "O Senhor Brecht" de Gonçalo M. Tavares

O vôo da atriz

Simplesmente Glauce
Porta-voz da poesia e do teatro
Pombo-correio de mestres
Deposita nas mentes
De cada um as sementes
Do amor mais transparente
Que forja com seu talento
A varrer do entendimento
Obscuras conclusões
Que se diluem ante as inflexões
De sua bela performance

Profissão?
Missão?
Prazer?
Desprendimento?
Guerreira?
Simplesmente Glauce
Incrivelmente Glauce.
Não importa se de Minas
Ou se veio da China
Se te ama ou te abomina
Sei que tem asas e voa
Hora pousando em mansão
Ou só parando na esquina
Onde a platéia se aquieta
Para assistir Glauce Guima

Sérgio Ricardo
29 julho 2017

Foto: Cafi

Manifesto por novo teatro - O teatro da Palavra - Pasolini

"O teatro que esperamos, inclusive o mais absolutamente novo, não poderá ser nunca o teatro que esperamos. De fato se esperamos um novo teatro, esperamos necessariamente dentro das idéias que já temos, além disso, aquilo que esperamos, de alguma forma já está aí.

A Quem se Destina

Os destinatários desse novo teatro não serão os burgueses, (que vão ao teatro para divertir-se e que, às vezes, escandalizam-se) e sim, os grupos avançados da burguesia constituídos pelos poucos intelectuais realmente interessados em cultura: progressistas de esquerda, sobreviventes do laicismo liberal e radicais. Esses grupos avançados nem se divertirão e nem se escandalizarão, já que são em tudo semelhantes ao autor. Essa classificação é e pretende ser esquemática e terrorista.

A uma senhora que freqüente os teatros da cidade, se aconselha calorosamente que não assista às representações do novo teatro. Ou, caso se apresente com seu simbólico, patético, casaco de vison se encontrará na entrada um cartaz explicando que as senhoras com casaco de vison deverão pagar um preço trinta vezes maior que o preço normal. Nesse mesmo cartaz, ao contrário, estará escrito que jovens fascistas menores de vinte e cinco anos poderão entrar de graça. Além disso, pediremos também que não aplaudam. Vaias e demais provas de desaprovação serão admitidas.

O Teatro de Palavra

O novo teatro quer definir-se como Teatro de Palavra. Incompatibiliza-se tanto com o teatro tradicional como com todo tipo de contestação ao teatro tradicional. Remete-se explicitamente ao teatro da democracia ateniense, saltando completamente toda a tradição do teatro burguês, e porque não dizer a inteira tradição moderna do teatro renascentista e de Shakespeare. Espera-se do espectador mais o escutar que o ver. As personagens são idéias a serem ouvidas.

Destinatários e Espectadores

Acreditamos que os grupos avançados de cultura já podem constituir-se numericamente em um público, produzindo o seu próprio teatro. Estabelecendo assim, na relação entre autor e espectador, um feito único na história do teatro, pelas seguintes razões:

1- É um teatro possibilitado, solicitado e desfrutado no círculo cultural dos grupos avançados de cultura.

2- Representa o único caminho para o renascimento do teatro num país onde a burguesia é incapaz de produzir um teatro provinciano e acadêmico, e onde a classe operária é absolutamente alheia a esse tipo de problema.

3- É o único que pode chegar, não por determinação ou por retórica, à classe operária. Já que esta se encontra de fato unida por uma relação direta com os intelectuais avançados.

A que se opõe o Teatro de Palavra

O Teatro de Palavra opõe-se ao teatro de falatório (tradicional) e ao teatro do gesto e do grito (não tradicional). Desta dupla oposição nasce uma das principais características do Teatro de Palavra: a ausência quase total de ação cênica, desaparecendo aí quase totalmente portanto, a encenação. Reduzindo todos os seus elementos (luz, cenário, figurino, etc...) ao indispensável. Não deixará de ser entretanto uma forma de rito ( ainda que jamais experimentada ). Seu rito não pode ser definido de outro modo que RITO CULTURAL.

O Ator do Teatro de Palavra

O ator do Teatro de Palavra não terá que sustentar sua habilidade no atrativo pessoal (teatro tradicional), ou em uma espécie de força histérica e messiânica (teatro não tradicional), explorando demagogicamente o desejo de espetáculo do espectador (teatro tradicional), ou enganando o espectador mediante a imposição implícita de fazê-lo participar de um rito sacral (teatro não tradicional). Terá que sustentar sua habilidade em sua capacidade para compreender realmente o texto e ser assim, veículo vivo do próprio texto. Será melhor ator quanto mais o espectador, ao ouvi-lo dizer o texto, compreenda o que o ator compreendeu. O ator do Teatro de Palavra terá que ser simplesmente um homem de cultura.

Epílogo

O Teatro de Palavra é um teatro completamente novo, porque se dirige a um novo tipo de público.

O Teatro de Palavra não tem nenhum interesse espetacular, mundano, etc... Seu único interesse é o cultural, comum ao autor, aos atores e aos espectadores, que portanto, quando de reúnem, cumprem um RITO CULTURAL."

"O Senhor Brecht" na mostra Solo de Quintal em Dourados, MS



Do livro de Gonçalo M. Tavares
Narradora: Glauce Guima
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos


 





SOLO DE QUINTAL é uma Mostra Nacional de Solos a ser realizada em quintais de residências, na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul.
Fotos: Raíque Moura

"O Senhor Brecht", de Gonçalo M. Tavares


A sala


Esta a primeira frase da obra.

As artes plásticas têm encontrado o caminho de volta ao seio das comunidades: uma ou várias casas na vizinhança que compõem um circuito de artes. A culinária idem. A música nunca saiu da casa. A música é das salas dos músicos (o Rock só foi pra garagem porque é muito barulhento), ela sai,  vai a shows, encontra centenas, milhares, mas volta pra casa e se faz tão música na sala quanto foi na multidão. O teatro também tem essa acolhida das salas de casa, sempre teve. Mas o que talvez nos falte, a nós gente de teatro, é um pouco do desprendimento das outras artes na sua relação com esse lugar humano, caseiro. Usá-la sem adaptações, sem truques, sem tentar aproximá-la ao nosso teatro ideal, o que só a fragiliza e a precariza; idealização que a rigor desonra a sala de casa e o próprio teatro.

Umas das coisas que Brecht mais claramente buscou fazer nas suas formulações sobre teatro (tocando agora no fato de que o personagem ter esse mesmo nome), foi revelar o que de natural há na representação: ela é um artifício humano básico. Reconectar ator e público com a naturalidade do artifício teatral é algo que o dispositivo Sala de Casa oferece com maior potência que qualquer outro.

 
Praticamente vazia

Sendo você que nos lê, como nós, gente de teatro, concordará que o “estar praticamente vazia” da frase é o comentário documental sobre a nossa situação.

São muitas as urgências que o nosso tempo impõe, e a nós que somos o teatro é imperativo arejar o tempo com palavras necessárias, preencher o vazio que está sendo imposto, resistir, mostrar a suficiência de nossas vozes e corpos – atrizes, atores - narradores. Primeiro mostrar quem somos, a viemos, de onde viemos (rapsodos, griots) sem as mistificações que também nos esvaziam. Sermos um pouco - só pra recomeçar! - apenas o que somos: veículos da cultura, contadores de mitos, fábulas, histórias; instauradores de um rito cultural ancestral comum.


Apesar de

A sala não está vazia. Há aquele átimo de combustível para receber a fagulha da instauração do rito: há ao menos um outro.

Um lugar de acolhimento, um outro semelhante diante de um semelhante com suas histórias. Eis um antiquíssimo artefato da cultura. Explosivo. Poderoso. Não convém perdê-lo. Sim, é imperdível e necessário e já se tornou urgente. 








Récita realizada por Lourinelson Vladmir e Glauce Guima em novembro de 2016 na sala da Companhia do Latão/ SP, e contou com a presença do escritor Gonçalo M. Tavares, amigos e militantes políticos.

Pré-estreia de "BR 716" em São Paulo



Lá, os personagens desfrutam de tudo que a liberdade pode oferecer, enquanto o país passa por um momento político complicado, com o golpe militar começando a tomar forma. O longa recebeu o prêmio de melhor filme no Festival de Gramado deste ano.
Os ingressos, gratuitos, devem ser retirados no local da exibição do filme uma hora antes da sessão.”
http://novoemfolha.blogfolha.uol.com.br/2016/11/04/folha-promove-pre-estreias-dos-filmes-br716-e-curumim/


“(...) imprescindível é a chance de ver nas telonas cariocas o longa ganhador de Gramado, lá em agosto: BR 716, do mestre (agora octogenário) Domingos Oliveira, que revelou ao cinema a talentosa Glauce Guima.”
(Rodrigo Fonseca, Estadão)


 
 
Presentes no debate após a sessão,
Renata Paschoal, Gabriel Antunes, Sophie Charlotte, Caio Blat e Glauce Guima



Pré-estreia de "BR 716" em São Paulo


Folha de São Paulo promove na segunda (7) a pré-estreia do longa "BR 716" do diretor Domingos Oliveira.
" (...)
A exibição de “BR 716” será na próxima às 20h no Espaço Itaú Frei Caneca (sala 6), no Shopping Frei Caneca (rua Frei Caneca, 569, 3º andar– Consolação).
“BR 716” é inspirado na vida de Domingos de Oliveira. Ambientado na boemia carioca de 1963, o filme conta a história de Felipe (Caio Blat), que leva uma vida regada a álcool e festas realizadas num apartamento dado por seu pai no número 716 da rua Barata Ribeiro –daí o nome do filme–, em Copacabana.

Lá, os personagens desfrutam de tudo que a liberdade pode oferecer, enquanto o país passa por um momento político complicado, com o golpe militar começando a tomar forma. O longa recebeu o prêmio de melhor filme no Festival de Gramado deste ano.
Os ingressos, gratuitos, devem ser retirados no local da exibição do filme uma hora antes da sessão.”
http://novoemfolha.blogfolha.uol.com.br/2016/11/04/folha-promove-pre-estreias-dos-filmes-br716-e-curumim/


“(...) imprescindível é a chance de ver nas telonas cariocas o longa ganhador de Gramado, lá em agosto: BR 716, do mestre (agora octogenário) Domingos Oliveira, que revelou ao cinema a talentosa Glauce Guima.”
(Rodrigo Fonseca, Estadão)



"BR 716" indicado entre os melhores filmes do Festival do Rio


povos indígenas, quilombolas, ciganos, povos de terreiro, irmandades de negros, comunidades ayahuasqueiras, agricultores, pescadores - artesanais, caiçaras, faxinalenses, pantaneiros, quebradeiras de coco babaçu e castanha do Brasil, marisqueiras, retireiros, pomeranos, geraizeiros, caranguejeiras, ribeirinhos, agroextrativistas, seringueiros e fundos de pasto... AQUELE ABRAÇO!


Guerrilha: um anti-teatro do cotidiano





 


“Guerrilha”, do Rio de Janeiro, vem fortemente marcada por uma dramaturgia performativa, extremamente aberta a inúmeras possibilidades de leitura. Se logo no momento inicial, a pichação “Fora Sinopse”, que surpreende a expectativa de ver a frase se completar com “Temer”, o texto que resume e descreve a cena nos traz poucos elementos do que o trabalho apresenta, assim como traz informações que não são vistas. Erro ou não, criou-se um jogo entre cena e material de divulgação, o que revela também a necessidade do trabalho em não fechar-se a reduções ou simplificações.
O golpe, no entanto, está em cena. Há resistência e porrada, há corpos preparados para lutar, vigorosos de forças físicas e combativas, enquanto há também a alienação, a figura alheia e entretida. As forças, porém, se perdem e se dissipam. Os corpos resistem em suas individualidades e em tempos distintos. Cansam, ainda que perplexos e indignados.
A arte também ganha foco metalinguístico nos pés da bailarina. Sua delicadeza simbólica representa o perigo transformador. Não à toa, foi um dos primeiros campos por onde a onda conservadora dos novos tempos se assolou com a precarização de suas estruturas já precárias. A arte tarja preta é a própria cena, questionadora, provocativa e combativa.
No contexto das lutas, há multiplicidades e todos se alinham diante do mesmo que se apresenta a todos eles. Não pensam da mesma forma, não possuem as mesmas latências, mas suas reações têm o mesmo efeito. Nada mudou e tudo está acontecendo diante de nós."

(Joyce Athiê)

Com Angélica Grativol, Francisco Thiago Cavalcante, Glauce Guima e Maria Machado.
Trilha sonora: Glauce Guima
Supervisão afetiva de Marcio Abreu